C.

Se o poeta te escrevesse,

o faria com letras de macarrão

não sou poeta

– posso cozinhar

(devias ver, minha cozinha)

neste poema,

em minha vida

falta uma letra,

uma letra somente.

txai!

pedaço de mim,

tua presença,

caetanear,

beleza que o sol te deu.

da terra cresceu.

uma letra

nuvem, rio, fruta repartida…

entre nós

sonho

a loucura dessa letra

“é proibido sonhar”?

quero-te

mas quero antes

você para si mesma,

dona do próprio vocabulário,

quero-te

feliz com todas as letras!

9/jan – parabéns cla!

economia política um

INGREDIENTES

3 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo 1 ⅓ de xícara (chá) de água1 colher (sopa) de fermento biológico seco (cerca de 10 g)2 colheres (chá) de salfarinha de trigo para polvilhar a bancadaazeite para untar a tigelaágua para borrifar os pães

uma receita é mais que um poema, no fim tens pelo menos um pão: um pão em potência

eis aqui o único mérito de um poema

Ao meu futuro Eu, ou à sua absoluta Destruição #

Sob um manto de nuvens frescas
molhadas. Costuro em linhas tortas
mais um poema. Sinto-me agora
constipado. Incapaz.

De escritas sinceras, ou espontâneas
ainda que arranjadas em letras
disformes. Não representam nada que sou,
nem o que sinto ou o que vejo dizer
sequer captura a imagem de ser.

De ser triste ou feliz que seja,
palavras do alambique onde se
diz coisas à pala de alucinógenos.
E vive-se alucinado em pensamentos
palavreantes como a representação
tão procurada neste poema.

De organizar o pouco já que se há
em mim. Deixar solver, mais harmonioso.
Solver no solvente que se intitula Tudo
ou Nada, mas que se ouve apossando
Vida. Solvente universal, dizem.

Que se sabe ciente, do medo de se deixar ser.
De se escancarar e exibir as cicatrizes do
processo de abertura, caso eu sobreviva
dos vazamentos dos muitos líquidos que
por motivos inexistentes circulam de mim.

De pé no canto, não te moves de ti mesmo
De ti mesma! Simplicidade de tua simples existência.
Exíguas, as possibilidades desta ocorrência.

Ainda que existas, penso eu
ou que escrevas poesia e mesmo
que tu a sejas, estarei inválido.

Ainda que o amor exista além de
quatro letras, estarei absorto na
imensidão confusa da ultra
consciência. Estarei, esperando.

O vir da chuva, todos os que se
encantam no Sol apossados de
horror. Esperando andarei, com
pingos de chuva cortantes esfriando
minha pele. Sobras de pulsos no sofá.

Entulho que entra pela janela, para que
nos deitemos e calemos por antigos
períodos nossa transbordância.

Escuto.
Em Luto.

Sóis e sombras

já que não podemos o toque
venha ao menos me beijar
para sanar necessidades
de contemplação e assim
fazer zerar corpo-a-corpo
toda essa angústia

de sexo, de gozo, de amor

será que ainda sei pegar
o fruto dessa árvore com minhas
próprias mãos imundas? Sujas do mundo.

será que ainda posso me banhar
no mar, no lago… na piscina?

Ainda existe isso de
piscina, lago… mar?

o que já é o corpo? Tão distante
de mim, tão perto de você.

o que ainda é você? onde se encontra
sua alma delgada que já de longe
retirou-se em florestas, chuva, e poesia?
tens alma ou és só corpo?

Responda-me, minha querida

Em qual floresta estás
em que rua, número e telefone posso te encontrar

O que é te encontrar?

Me diz, tens cachorro, um gato pelo menos?

És feliz?

Alegro em saber que não esqueceste
a poesia em outros lençois, mas devo
dizer: antes de tudo, poesia é movimento,
ao invés de páginas desbotadas só
se encontra em vida, corpos e sentidos.

Quero poder encontrar-te novamente
Sem medo, um abraço apertado
Dias de Sol, filmes na cama
Juntos, encontrar uma árvore
Alcançar aquele fruto e,
uma vez mais, fazê-lo entre nós.

abril 2020

Sorry we missed you

Falência, desespero, maus-tratos. O filme nos remete a um mundo de perda total de sentido. A confusão da personagem lembra, a nível psicológico, a personagem de Sennet em a corrosão do caráter. Rico é um trabalhador mais bem-sucedido, ou mais qualificado, que, no entanto, enfrenta um mesmo sentimento de estar perdido.

No entanto, diferente de Rico, Ricky Turner vive uma realidade de trabalho mais cruel pois é fisicamente, além de psicologicamente, submetido a alcançar resultados de desempenho cada vez mais arriscados, enquanto tem que pagar por desvios definidos pela programação automática da ‘arma’ – cujo preço, descobrimos sentados no hospital, é 1000 libras.

Há no filme muitos possibilidades de interpretação e desenvolvimento, por exemplo a relação familiar e como ela se desgasta, a relação pai-filho conflituosa e que se torna violenta (o trabalho aparece então como violência, pois fonte de violência, uma brutalidade insidiosa e primitiva), a cena simbólica e bonita de Liza devolvendo a chave escondida no urso de pelúcia, enfim, o fim da família descrito na pichação em escracho de Seb, etc. Mas o que gostaria de analisar com alguns detalhes são as cenas finais do filme. Momento em que, na manhã seguinte ao hospital, Ricky acorda, deixa um bilhete e às 6:30 da manhã, decide ir ao trabalho.

O filme é, desde as primeiras cenas, ou antes, desde as primeiras frases, fonte de simbolismos cujas imagens remetem à a algo como uma ilusão ou algo como uma promessa: que o trabalhador supere sua posição de força de trabalho e se torne algo como um autônomo, um chefe de si mesmo, um franqueado, ou seja, a promessa da independência do labor, do tripalium. Ao contrário, o absurdo das últimas cenas deixa claro a tese pela qual transbordam os símbolos no filme: Ricky aprofundou-se em dependência não apenas por precisar de dinheiro para sobreviver, mas por que se não trabalhar ele deve pagar ao chefe, se a sua performance não for satisfatória também deve pagar – mesmo que seja pegando uma rota menos lucrativa, e no limite, se as informações e as análises retornadas pela ‘arma’ forem insatisfatórias, Ricky deve pagar perdendo o emprego. De qualquer forma, Ricky se encontra em um estado de dependência, e vai ao trabalho nas últimas cenas como se um viciado em heroína buscasse uma dose de redenção – sabendo que essa será o seu fim.

“Don’t be angry Abby I’ll be fine” Sorry we missed you, 2019

Um outro momento em que essa relação de dependência se mostrou evidente está presente na imagem acima, em que o bilhete destinado a sua esposa é escrito na ficha da empresa em caso de ausência do destinatário. Aqui fica claro, o ‘chefe de si mesmo’ funciona para o trabalhador somente na medida em que é possível mercantilizar o que ainda existia intocado. O destinatário que antes era todo e qualquer estranho-cliente cujo encontro era guiado por um aplicativo transplanta-se às relações cotidianas, e a lógica da empresa se sobrepõe à lógica da vida. É nesse momento que Ricky desaparece por completo, também a própria dependência desaparece pois reduz-se ao absurdo – sorry we missed you.

Depois, Ricky na van, Seb seguindo-o, Ricky justifica-se dizendo que 6 meses dali tudo estaria bem, Abby, em seguida de Lizy. Há esse movimento em torno da ruptura da família, como se acabássemos de presenciar uma despedida. É bem possível dizer que o filme é tão escatológico porque tem como principal alguém como Ricky e não Abby, por exemplo, que chega a agradecer a sua paciente idosa sábado à noite por requerer seus cuidados. O próprio Seb é uma figura tal que não reflete a decadência do pai, porque sabe de si, não se deixa guiar, é de sobremaneira insubmisso, sofra o que vier. Lizy também, roubando as chaves. Enfim, a separação familiar parece também caracterizar essa cisão em torno de algo como um esforço ou uma tendência à práticas de contra-conduta. De um lado temos então, Ricky e toda a tragédia de sua submissão; de outro, simbolizada pelos outros na família, tem-se a esperança (mais numerosa e mais sustentável) de explosões micro-corpusculares que fazem nascer outros mundos.

o limiar

o limiar

–   –

o entre

aquieagora                                       a abelha pousou no

poesia no mar                                 mel, a forma transforma

ondulação                                        os olhos do louvadeus

haiku no

bushido

mãos

limpas

carregam o mundo

esbravejam a fumaça

por entre as narinas

ainda vou lembrar o nome daquele poeta

silêncio absoluto

faz crescer as 

plantas 

a água escolhe sem medo

o lombo que molha a terra

algumas poesias é falta do que se esfregar,

outras é falta de entrega.

o esquecer entre o aqui

e lembrar

movimento cuidar no

lembrar

deleuze não fala, sussurra

loucura

que já me esqueceu

poesia que  falta

é história 

do tempo que já se perdeu

silêncio que não me demora

nos brilhantes lúcidos a que

chegamos agora.

se tudo em que mim loucura

de tempos em tempos tristonho

de tempos em tempos risonha

quisera eu que não se demore de andar

por essas às vezes medonhas

mas há de se procurar

um novo começo-desfecho

no peito de quem sempre sonha

Fiz com que usasse um soneto
à noite, em traje de gala
nas ruas, ondulas, cintilante vala
colores demiurgos na cidade de soweto

antigos sonhos têm de morrer
para a aurora deixar nascer
tudo o que hei de sonhei

mas a grande morte não é o esquema
de onde se vê a o fogo que longe queima
cintila de onde a estrela nos olhos de uma quimera

esse meio poema parindo
soweto-soneto, movimento que passa
promessa que já não se caça
tudo está no gesto, de um gato preto sorrindo

Moral da história: soneto já não se faz em viagens astrais, muitos menos em estado de poesia.

Kafkaesco

Hoje encontrei Kafka, ele me disse sorrindo os homens não pensam não, bobinho. Ele contou que o pai era amoroso e que por isso às vezes violento. Era grande, viril e violento. Franz era tímido, fraco e com vergonha de seus ossos – o que está em ti além dos ossos? A culpa, brincou o moço que morreu aos quarenta. Tentou de tudo, só não me disse se encontrou a paz, percebi, a angústia era tremenda. A culpa tamanha. Algumas coisas arrepiam, não dá pra ter muitas vontades frente a um muro gigante, de sobrecasaca preta suportando um chapéu brilhante.

Mas ele insistiu: os homens não pensam não, e poucos vivem racionais; e que no decorrer essa culpa é de todo abstrata, como a própria ideia da civilização moderna, antiga ou a dos qualquer coisa. E, se já não tem vontade do fazer humano, é porque está muito cansado, inconsciente e com alguma coisa acostumada. Kafka disse não existia Prozac, por isso viviam tão pouco os homens das cavernas – ave batuques mentais e dores nas juntas, ave Lúcifer.

Quando perguntei como eu poderia viver e conseguir pular o muro, meu amigo sugeriu unguentos e o proveito no privilégio dessas novas tecnologias de meditação, disse também para que eu acreditasse em algo, fosse o que fosse mesmo que triste ou de gosto estranho, ‘a reprova está garantida’ – e ninguém liga, mas é simples, pra que eu acessasse os caminhos de minha aceitação.

Comentário de um pseudônimo

E mesmo lá as trevas sentem-se presentes. Mesmo no paraíso presenciamos o inferno oposto à felicidade. Condição de mente, de vida, sabores.. não sei, certo de que a realidade nunca desfez-se companheira, nem a morte inimiga. A barreira que nos repele a vida tem se alongado e ardido em tempos verbais inventados, pois quando digo que minhas palavras se sobrepõem a linguagem estabelecida nos acordos de escrita, tento dizer: tudo o que sinto é incomunicável, e minha confusão muito larga para que a materialize natimorta em traços finos.

A culpa não se esvai. Posso, no entanto, profanar o espaço em que se constitui esse mal estar. Entre as paredes, muros desta casa, jorrar o fluxo fumacento da chama do impuro. O que achariam, meus pais absortos, deste enigma pecado, desta lama e deste mal autodestrutivo?

Tenho que estudar para reparar não sei o quê, para poder me mover entre o pó, mais do que sou feito, mais do que tenho vontades e as tenho, trancadas em um baú da sorte. Os pensamentos confinam-se aqui.

julho de 2016

sobre cores, yin-yang, passivos & afins

hoje a tinta é vermelha, por nenhum motivo especial. ninguém morreu nem sinto raiva. também não pelo pudor estético, nem por severidades daltônicas, das quais não padeço. a questão é, essa tinta é uma dádiva a mim destinada. quase uma cor-nascença. sempre achei que essa cor fosse azul. ou verde, já não me lembro. descobri-a vermelho-azulada, ao mesmo tempo, um anti-roxo.

não sou roxo nada. muito menos padeço vermelho alguma coisa. nos meus melhores momentos fui verde-amarelinho ou verde com amarelo. o que já não é dizer que fui verde amarelado. esse último já é outra coisa e outra cor.

transpareço um anti-édipo e imagino-o azul. mistura da veludo com um cetim-agressivamente delicado. até arrepiei. o escritor é um canalha.

as pessoas daqui são alaranjado covardes. é uma cor geralmente boba e profundamente imbecil. conheço-a, passei laranja no mínimo três anos e alguns outros a aturando. não mais. atiro-a aos lobos umidifico a digestão. conduzo o caminho em direção às estrelas. 

cor delgada é o rosa mucosa. desvia-me ao interior pueril das falanges que abandonaram os sentidos. encanta-me a cor dos interiores de tudo que se envagina, o que vai para dentro tem rigor e leveza das coisas flexíveis.mistura-se mais facilmente com o que há ao redor, permitindo-se transformar em coisa mais diversa e desconhecida, caminha, não cessa de mudar. o duro perde-se mais facilmente em si mesmo, define-se enquanto tal e por isso perde a sorte de ver-se destruído.

auto-retrado-aspiano

ninguém sabe nada disso. nem que a parte de maior desgaste e incongruência de mim é o começo dos textos, dos bilhetes e confissões.

sou fragmento, desconexão contínuo e estável de um todo maquinal e contorcido. tenho as ideias na cabeça que externaliza-se em necessidade corrente de palavras. a solidão nunca me assustou. tenho tics, tocs, tucs e algumas virtudes. almoço e janto só ou em companhia de algumas letras de sopinhas. as pessoas olham-me como se algo de humano faltasse em minha feição, há algo de desconhecido em mim – porque não expresso, assim como há nas pessoas algo muito extravasado que exagera. é claro, não todas as pessoas. só as normais. a minha lógica é simples direta, embora nessas conexões haja excesso de transposições – odeio mediações e vejo a palavra enquanto gesto, intensidade e movimento, dotada portanto de aleatoriedade e do que não se pode saber.

as letras, as palavras para mim não são o que parecem. repudio a filosofia enquanto abstração mediada por ideias, um universo paralelo que acessa o inacessível. sou pobre e por isso exploro a filosofia da miséria, e a miséria da filosofia. gosto dos filósofos que trazem o sentido dos conceitos para o aqui e agora.

aos onze não olhava nos olhos das pessoas. não costumava valer a pena; ainda nem sempre. geralmente prefiro o silêncio à palavra embora me encanta todos os sons. é que a palavra tende facilmente à petulância e à prepotência do ridículo – a voz do eu.

falando nisso, por vezes (nos melhores momentos) estou despersonalizado e, embora tenha ideias e pensamentos, não os chamo de meus. não os chamo.

tenho dificuldades de me misturar nos grupos e dar atenção às individualidades quando há multidão. aprecio multiplicidades e sei dela fazer parte. vou me conhecendo às vezes enquanto memória gasta, enquanto livro lido e esquecido, enquanto repetição. depois me descubro pó, luz, solidão. essa história só pode ser contada enquanto diferença que de cima para baixo é continuidade e de baixo para cima descontinuidade, o que faz com que eu e o outro sejam idênticos.

a linguagem é afeto e as palavras são para mim uma forma de acariciar o mundo. por isso cuido delas. por isso salvo saliva e cuspo muito, ao invés de palavras. idealmente eu não sairia de casa, mas ela teria que ter o sol dentro dela e palavras suficiente. gatos e muito mato. não tem. não moro em uma casa assim, por isso tenho um gato e ando de bicicleta como se corresse mais depressa e mais depressa tivesse mais acesso ao sol.

repito a vida humana em um outro mundo. um mundo de menos fala, e mais olhos nas estrelas. neste mundo sofre-se igual, embora com diferença. sofrimento, grande massa, Ser e o Tempo, no qual a vida expressa-se em movimento.

sou monótono quando falo, as vezes charmoso quando no ofício, muito exigente comigo mesmo e por isso de severidade nos modos. exceto quando danço exausto e chamo pela grande árvore. para tudo o que sou, há um não sou que dá potência ao mistério. é por isso que não me defino e acho o termo “autista” inadequado, cada definição tem como premissa a estabilidade e similitude do acontecimento que as palavras acompanham, quando na verdade sou inteiro repetição e diferença, movimento descrito no hiato, no que falta ao gesto, no insuficiente ao olhar, no querer mais do desejo, no insatisfeito, como tu! e, portanto, estranho às ideias e mediações abstratas.

escrever é dar forma à essa espessa insuficiência. é realizá-la e já perder-se novamente no vazio do nada incongruente, um infinitesimal aceitar a contradição perene imposta pelo pensamento. a vida é possível sim, mas há de se aprender as formas e cantos das realidades mais imediatas das quais fazemos parte, a vida, como a morte, é expressão de um fluxo com um certo funcionamento, que no entanto pode mudar. não se trata mais de reconhecer e aprender as leis naturais baseadas nos signos semelhantes, mas de reconhecer que os signos têm vida própria em nosso imaginário e que outras realidades se escondem em outros campos e espaços. aí está a força dos diferentes, dos que habitam outros espaços, dos à margem, para além da nossa borda cultural concreta limitada. esses diferentes modificam a anatomia da consciência coletiva – se é possível falar disso – na medida em que põem em jogo forças inexistentes&invisíveis ou contrárias à direção espontânea.

com isso chegamos ao ponto em que é necessário dizer que o que sou não se mede na diferença dos centímetros entre nossos cerebelos, parte esquerda, parte direita. Kaspar Hauser era um igual mais interessante, pois que fugiu do comportamento compulsivo do igual e viveu um sonho em que a imaginação era mais relevante aos sentidos. a visão, ignorada como fundamental na história de Kaspar, como sentido-perturbação que pode ser reinterpretada ou antes, ignorada. a sociedade europeia de então, e, portanto, o ocidente é limitado em qualquer busca e possibilidade de um aprofundamento superior pois às amarras de algo como o que se vê, a diferença dos centímetros à diferença do que pode vir a ser. 

assim, estou no instante entre as sinapses, entre a energia do pensamentos como qualquer um outro. se a forma e a intensidade com que os expresso são únicos, assim também é com os outros entre nós. nesse sentido, cada repetição do eu é uma diferença. é por essas e outras que considero indiferente me definir como aspie ou como qualquer outra coisa, a não ser que essa diferença quando percebida e ‘lingualizada’ leva à percepção da diferença e à mudança – como se houvesse uma mais relevante que a outra – no movimento que nos engloba. infelizmente, somos percebidos enquanto elemento-objeto de um complexo arcabouço de signos constituídos não por naturalidade mas historicamente, objeto-estação, quando na verdade todos, além de aspies, somos aspirantes a movimento indissolúvel e repetição da vida. no momento em que, sociedades e sujeitos, nos dedicarmos mais seriamente à contemplação desse movimento maior e total, epidérmico, do qual somos e pertencemos poderemos continuar aprendendo.

14.03.2020

El andariego

Nada como olhar direto na cara do silêncio! E de lá ver
Brotando imaginações oceânico-molusco. Imagem e ação. É como se
O silêncio, por si só, não fosse
o suficiente – e portanto cabe a
Linguagem como signo-ação
Silenciar o silêncio

Dei o cu pro sol
É como se disso fosse
brotar algo.
As palavras seduzem e cansam…
Haja similitude e possibilidades de signos.

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