Ao meu futuro Eu, ou à sua absoluta Destruição #

Sob um manto de nuvens frescas
molhadas. Costuro em linhas tortas
mais um poema. Sinto-me agora
constipado. Incapaz.

De escritas sinceras, ou espontâneas
ainda que arranjadas em letras
disformes. Não representam nada que sou,
nem o que sinto ou o que vejo dizer
sequer captura a imagem de ser.

De ser triste ou feliz que seja,
palavras do alambique onde se
diz coisas à pala de alucinógenos.
E vive-se alucinado em pensamentos
palavreantes como a representação
tão procurada neste poema.

De organizar o pouco já que se há
em mim. Deixar solver, mais harmonioso.
Solver no solvente que se intitula Tudo
ou Nada, mas que se ouve apossando
Vida. Solvente universal, dizem.

Que se sabe ciente, do medo de se deixar ser.
De se escancarar e exibir as cicatrizes do
processo de abertura, caso eu sobreviva
dos vazamentos dos muitos líquidos que
por motivos inexistentes circulam de mim.

De pé no canto, não te moves de ti mesmo
De ti mesma! Simplicidade de tua simples existência.
Exíguas, as possibilidades desta ocorrência.

Ainda que existas, penso eu
ou que escrevas poesia e mesmo
que tu a sejas, estarei inválido.

Ainda que o amor exista além de
quatro letras, estarei absorto na
imensidão confusa da ultra
consciência. Estarei, esperando.

O vir da chuva, todos os que se
encantam no Sol apossados de
horror. Esperando andarei, com
pingos de chuva cortantes esfriando
minha pele. Sobras de pulsos no sofá.

Entulho que entra pela janela, para que
nos deitemos e calemos por antigos
períodos nossa transbordância.

Escuto.
Em Luto.

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora