o limiar
– –
o entre
aquieagora a abelha pousou no
poesia no mar mel, a forma transforma
ondulação os olhos do louvadeus
haiku no
bushido
mãos
limpas
carregam o mundo
esbravejam a fumaça
por entre as narinas
ainda vou lembrar o nome daquele poeta
silêncio absoluto
faz crescer as
plantas
a água escolhe sem medo
o lombo que molha a terra
algumas poesias é falta do que se esfregar,
outras é falta de entrega.
o esquecer entre o aqui
e lembrar
movimento cuidar no
lembrar
deleuze não fala, sussurra
loucura
que já me esqueceu
poesia que falta
é história
do tempo que já se perdeu
silêncio que não me demora
nos brilhantes lúcidos a que
chegamos agora.
se tudo em que mim loucura
de tempos em tempos tristonho
de tempos em tempos risonha
quisera eu que não se demore de andar
por essas às vezes medonhas
mas há de se procurar
um novo começo-desfecho
no peito de quem sempre sonha
Fiz com que usasse um soneto
à noite, em traje de gala
nas ruas, ondulas, cintilante vala
colores demiurgos na cidade de soweto
antigos sonhos têm de morrer
para a aurora deixar nascer
tudo o que hei de sonhei
mas a grande morte não é o esquema
de onde se vê a o fogo que longe queima
cintila de onde a estrela nos olhos de uma quimera
esse meio poema parindo
soweto-soneto, movimento que passa
promessa que já não se caça
tudo está no gesto, de um gato preto sorrindo
Moral da história: soneto já não se faz em viagens astrais, muitos menos em estado de poesia.