sobre cores, yin-yang, passivos & afins

hoje a tinta é vermelha, por nenhum motivo especial. ninguém morreu nem sinto raiva. também não pelo pudor estético, nem por severidades daltônicas, das quais não padeço. a questão é, essa tinta é uma dádiva a mim destinada. quase uma cor-nascença. sempre achei que essa cor fosse azul. ou verde, já não me lembro. descobri-a vermelho-azulada, ao mesmo tempo, um anti-roxo.

não sou roxo nada. muito menos padeço vermelho alguma coisa. nos meus melhores momentos fui verde-amarelinho ou verde com amarelo. o que já não é dizer que fui verde amarelado. esse último já é outra coisa e outra cor.

transpareço um anti-édipo e imagino-o azul. mistura da veludo com um cetim-agressivamente delicado. até arrepiei. o escritor é um canalha.

as pessoas daqui são alaranjado covardes. é uma cor geralmente boba e profundamente imbecil. conheço-a, passei laranja no mínimo três anos e alguns outros a aturando. não mais. atiro-a aos lobos umidifico a digestão. conduzo o caminho em direção às estrelas. 

cor delgada é o rosa mucosa. desvia-me ao interior pueril das falanges que abandonaram os sentidos. encanta-me a cor dos interiores de tudo que se envagina, o que vai para dentro tem rigor e leveza das coisas flexíveis.mistura-se mais facilmente com o que há ao redor, permitindo-se transformar em coisa mais diversa e desconhecida, caminha, não cessa de mudar. o duro perde-se mais facilmente em si mesmo, define-se enquanto tal e por isso perde a sorte de ver-se destruído.

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora