Escrevia mal, argumentava o professor na folha de redação despedaçada por ponta de caneta vermelha. Faltava coesão, coerência textual! o aluno pulava as alcachofras da escrita, não eram sóbrias as linhas traçadas pelo coração do estudante (é necessário escrever em linhas retas calibradas segundo arquitetura erudita). Ai da civilização ocidental se as linhas fossem tortas, se as linhas fossem tortas a linguagem selvagem… se.
Não se pode divagar em trinta linhas! pode-se muito bem cozinhar bolo ou passar no vestibular. Aconteceu que o aluno gostava de bolo e queria passar no vestibular. O tempo tratou de entalhar em pedra a mão do aluno. Suas linhas, que eram tortas, enformaram-se. O pensamento digressivo e com tendências a praticar piruetas enquadrou-se em um quadro onde a linguagem possui graduação volumétrica. O aluno, antes poeta, matou-se no verbo perdeu-se na vírgula e convenceu-se de que o principal na exclamação é ponto final!